Eu preciso confessar que ando assustando a minha psicóloga.
Ela tenta disfarçar. Age como se fosse tudo muito normal. Mas existem duas hipóteses: não me aguenta mais ou me considera um caso perdido. Ela gosta de mim, entende. Dá para perceber e ela também diz. Mas ontem, quando eu falava pela milésima vez sobre o que eu sinto, como sinto, todas as minhas razões de ser, quando repetia exatamente as mesmas palavras de sempre, quando baixava os olhos da mesmíssima maneira, quando dizia o quanto este momento da minha vida é absurdamente difícil, ela afirmou, sólida e resignada:
- Renata, você precisa se libertar disso. Essa fase já terminou.
Eu disse que já sabia. Sim, é claro que eu sei. Mas espera aí, quando eu me sento aqui, você não tem que escutar absolutamente tudo que eu digo? Você não é a única pessoa no mundo que tem obrigação profissional de ouvir as minhas lamúrias, no matter what? Quando ela disse que a fase já tinha terminado, eu me toquei que realmente, não há mais o que fazer. Na verdade, não entendi isso naquele momento, mas soube imediatamente que percorreria este exato caminho quando me pusesse a refletir, sozinha. Porque raramente eles dizem o que sentem, né, os psicólogos. Senti que, por ela se dar a este trabalho, é porque de fato eu estou mais do que estagnada. Quando eles concordam com o que a gente acha de nós mesmos, aí a coisa fica feia. Significa estagnação total.
Me pergunto sempre quando diabos esta fase péssima vai terminar, ao passo que sei que quem atrai coisas positivas ou negativas somos nós mesmos. Resumindo, a teoria toda funciona muito bem na minha pobre cabecinha oca. O problema, como sempre foi, é colocar em prática todas essas reflexões oriundas do divã. Porque se eu conseguisse, já seria um ser humano perfeito - se é que vocês acreditem que seguir as guias da análise nos tornam seres humanos melhores. Decididamente, algo a se pensar.
Mas de problemas, posso destacar alguns. 1) Passo tempo demais sentada naquela redação de jornal pesquisando coisas inúteis. 2) Sou pouquíssimo organizada na hora de transformar sonhos em planos. 3) Saí do twitter e facebook, mas esses desviadores de atenção já começam a me fazer falta. 4) Me importo demais com tudo e se não fosse assim, seria tão mais fácil. 5) Leio e escrevo pouco demais.
Dito tudo isto, continuo estagnada. Sou preguiçosa, a verdade inteira é esta. Digo para todos os meus amigos que precisamos de alguém que nos complemente, e não que nos complete, mas isso não é o que eu mesma faço. Tenho uma inveja terrível de um amigo que me disse outro dia que ele não sente essa necessidade de um amor, de estar apaixonado, que a maioria das pessoas têm. Como eu queria ser assim.
Como eu queria, um dia que fosse, me sentir plena, satisfeita. Só consigo me lembrar de um em que eu tenha sentido exatamente isso, e é o dia que costumo classificar como o mais feliz da minha vida. Será, então, que ao contrário de tudo que sempre pensei e defendi, plenitude é mesmo gerador de felicidade?
Sigo sem saber.
Quem é que vai saber como funcionam essas coisas
quinta-feira, 14 de outubro de 2010Postado por Renata Reps às 07:58 5 comentários
Obra
sábado, 18 de setembro de 2010Levantar o prédio de dez andares.
Demoli-lo.
Afastar-se durante a reconstrução.
E se contentar com a possibilidade de que ele não passe mais do térreo.
Não era para ser diferente, desta vez?
Postado por Renata Reps às 09:35 0 comentários
Tudo, menos isso
quarta-feira, 15 de setembro de 2010Eu aguento qualquer coisa: ficar sozinha, ver filme no frio sem ninguém pra esquentar, ouvir as histórias péssimas das amigas e tentar aconselhar, passar o dia inteiro bem entre um trabalho e outro, tomar floral de Bach e fingir que a felicidade é esse dia a dia que a gente vive de coisa pequena e poucas surpresas.
Mas não me venha com esse barulho de mensagem no celular à noite.
Que aí eu desmorono.
Postado por Renata Reps às 19:31 0 comentários
Parece amargura, mas é fortaleza
segunda-feira, 13 de setembro de 2010Cada dia eu me sinto mais próxima e mais distante.
Mais próxima de mim e mais distante de você.
Com tudo isso que eu tenho visto por aí, tê-lo na minha vida tornou-se simplesmente insustentável.
Por isso, abdico. E humildemente, deixo-te ir.
Chega de pensar e repensar e pensar mais uma vez de novo. Eu escolho para mim coisas muito diferentes das que têm sido. E se é só isso que você pode me dar, I kindly refuse.
Aliás, vou me reservar ao direito de recusar seja lá o que for que você tiver para me dar. Já não me interessa mais. O que você faz já está fora da minha alçada de preocupações - antes tarde que mais tarde - e isso me alivia. Tiraram algumas toneladas das minhas costas que têm essa leve curvatura próxima à nuca. E esse afastamento me fez ver que sim, eu posso viver sem você.
E eu prefiro viver sem você.
Agora, pelo menos, sei o que quero e estou fortalecida. Quero quindins, sonhos de valsa e algodões doces. Se tiver um biscoitinho a menos, eu direi a mesma coisa que digo agora:
- Não, obrigada.
Antes só. Antes comigo.
Postado por Renata Reps às 20:19 1 comentários
Questão de gosto
domingo, 12 de setembro de 2010Eu prefiro as goiabas brancas.
Postado por Renata Reps às 07:16 0 comentários
Do lado de lá da tela
quarta-feira, 8 de setembro de 2010Existe vida além do mundo virtual? - pergunta a moça.
Não sei. Só saindo de tudo para descobrir. - vive a moça.
Postado por Renata Reps às 15:50 0 comentários
É por isso que eu não escrevo
sábado, 4 de setembro de 2010Todas as noites, quando chego em casa, eu espero. Mantenho inconscientemente essa mesma esperança que eu já tive várias vezes antes de você: que o seu carro esteja na minha porta. É claro isso nunca acontece, é a vida tratando de me lembrar que não, eu não vivo dentro de um filme de romance e que, com pessoas reais, esse tipo de coisa é bobagem. Mas mesmo assim, um botãozinho dentro de mim liga e eu quero, eu torço, e nunca entro em minha garagem sem antes fazer uma inspeção por todos os lados possíveis. À procura de um carro que já esteve aqui tantas vezes e que pode nunca mais estar. Nessas horas eu queria ser outra pessoa, alguém que sentisse menos, que se importasse menos. Alguém que já tivesse experiência suficiente para não esperar mais esse tipo de coisa. Mas não, tem essa partezinha grande dentro de mim que precisa de ficção, e que vai atrás dela não importa o que aconteça. Não importa o que aconteça.
Ser a melhor companhia que existe para si mesmo é preferir estar com você do que com qualquer outra pessoa. Por que não pode ser assim?
É que a gente não se prepara bem para as coisas. É o mesmo com o ventilador que tem no meu quarto. Nos dias mais frios de inverno, eu duvido dele. Penso: nossa, este ano realmente não vai haver espaço pra essa coisinha, é impossível ficar tão quente a ponto de que eu precise dele. E hoje, não fosse ele, nem conseguiria dormir. Quando a gente encontra conforto, aconchego, quando sossega e fecha os olhos tranquilo, esquece que isso pode simplesmente mudar. Energia se transforma. Baixa a guarda e depois está sozinho de novo tendo que resolver toda a bagunça por si mesmo. Sem ninguém para ajudar.
Os dias frios foram duros este ano. Mas o verão chegou. Vai passar. Vai passar.
Postado por Renata Reps às 06:25 0 comentários
